OLHAR - Um caso exemplar de entreajuda


A Olhar - Associação pela Prevenção e Apoio à Saúde Mental - existe há onze anos. A ideia-base que sustenta os seus princípios foi a de incluir os mais variados processos terapêuticos da psicologia na comunidade em geral, valorizando-se sempre a psicoterapia como um veículo eficaz a qual deve, de uma vez por todas, tomar um lugar de charneira e em igualdade perante outros discursos clínicos de cura.

O lugar do psicólogo clínico é estar, de facto dentro do consultório, num processo íntimo frente-a-frente, ou em situações grupais específicas. E a sua intervenção como agente consciente e conhecedor do profundo sofrimento interno, prepara-o para desafios estimulantes de cariz intra-social, sem nunca perder a sua característica primária, que é apresentar-se como alguém quase anónimo, enquanto terapeuta.

A preocupação social e a consciência do crescimento de um profundo mal-estar civilizacional, requer uma intervenção eficaz e preparada, onde os psicólogos clínicos, mas não só, poderão ter um papel fundamental.
Porque a cura existe quando nos reconhecemos no outro e o outro vê-nos de modo autónomo. Assim sendo e, após mais de 20.000 consultas realizadas, a Olhar sem prescindir do seu desejo de descrição, reconhece que é obrigatório, tornar cada vez mais visível os seus objectivos iniciais. Pratica preços sociais, consultas de psicologia, neuropsicologia, psiquiatria, pedopsquiatria, terapia da fala, orientação escolar, regularmente realiza formações para técnicos ou finalistas, e ainda fomenta espaços de discussão interna.
Colabora com outros parceiros e instituições, acreditando sempre que o que está feito, ainda é apenas um pouco do muito que há para realizar.
Olhar  mantém assim unida uma equipa multidisciplinar de 50 pessoas, que de forma profissional e articulada entre si, desenvolve acções de intervenção social, sem nunca se desligar da psicoterapia e do seu papel fundamental na prevenção da saúde mental.

Só podemos ver a sociedade como um todo, se conseguirmos ver as partes. Enquanto os decisores políticos não perceberem a necessidade de investirem a sério e com uma visão de rigor na Saúde Mental, os portugueses dificilmente sairão da posição incómoda de se manterem sempre na cauda, quando avaliados e confrontados com os resultados de outros países  desenvolvidos e onde Portugal já se incluí.
É para acabar com este estigma histórico, que a Olhar acredita na importância da sua existência ampliando cada vez mais o seu campo de acção.

Carlos Céu e Silva
Psicólogo Clínico
Mestre em Aconselhamento Dinâmico
Presidente e fundador da Olhar